quinta-feira, 12 de abril de 2012

Carta aos não Ateus.


Carta aos não Ateus.

Toda pessoa que segue uma religião deveria agradecer aos ateus, o motivo é simples, lutamos por seus direitos, o direito de poder se relacionar com quem bem entender independente da sua raça, etnia ou sexo.

Lutamos pelo direito de que você possa vestir a roupa que quiser, quando quiser e como quiser.

Lutamos até por seu corte de cabelo, careca, longo, channel, azul, verde, vermelho...

Lutamos pelo direito de que você possa comer e beber o que gosta nos dias que quiser.

Lutamos para que as mulheres tenham todos os direitos dos homens, entre outras coisas possam escolher com quem casar e se querem casar.

Lutamos pelo direito da criança e do adolescente, para que estes sejam salvos caso sofram um acidente e necessitem de uma transfusão de sangue.

Lutamos para impedir suicídos coletivos.

Lutamos pelo fim das guerras santas.

Lutamos pelo fim do estelionato que sofrem as pessoas desesperadas.

Lutamos pelo fim do racismo, pelo fim das perseguições.

Lutamos pelo fim de estupros e abusos.

Lutamos por tudo isso e muito mais.

As coisas acima citadas ainda precisam ser conquistadas, para um ou outro homem, uma ou outra mulher, por isso lutamos pelo fim de todas as crenças e religiões.

Sim, agradeçam aos ateus, pois estamos tentando tornar um mundo um lugar melhor exatamente para você, e para isso você não precisar nos adorar.

Ilderaldo Idriis

terça-feira, 10 de abril de 2012

Freud e o Ateísmo


"Os enigmas do universo só lentamente se revelam à nossa investigação; existem muitas questões a que a ciência atualmente não pode dar resposta. Mas o trabalho científico constitui a única estrada que nos pode levar a um conhecimento da realidade externa a nós mesmos.

É, mais uma vez, simplesmente uma ilusão esperar qualquer coisa da intuição e da introspecção; elas nada nos podem dar, a não ser detalhes sobre nossa própria vida mental, detalhes difíceis de interpretar, nunca qualquer informação sobre as perguntas que a doutrina religiosa acha tão fácil responder."

::: Freud

quinta-feira, 5 de abril de 2012

(provisoriamente sem título)

Com minhas lágrimas fiz pinturas que camuflaram meu rosto, nunca mais amei; parti para a guerra.


::: Ilderaldo Idriis


(Abril, Quinto, 2012)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Filosofia I - Alma, espírito e consciência

O Homem não possui alma ou espírito, apenas consciência, é fruto do sexo e dor do parto, não existe nada de "Divino" nisto. 


::: Ilderaldo Corrêa
(Maio, Sexto, 2011)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Preciso de ti

Preciso de ti


Como um rio a um pescador
o solo a uma árvore
a noz a um roedor

Ó fraca lembrança, amargo sem gosto
És bifurcação de esquecida estrada
que leva somente a outro lugar

Cor em desalento
doutrina demasiada
como ao furtivo o guarda
a corda ao acrobata

Excessivamente plena
presente e constante
tanto quanto precisas de mim
em nenhum instante, em nada


::: Ilderaldo Corrêa

(Abril, Vigésimo primeiro, 2011)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pensamentos III

Efêmera é a passagem, permanente é a conquista.


::: Ilderaldo Corrêa
(Outubro, Vigésimo Sexto, 2010)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Pensamento I

Postado originalmente em 2 de Outubro de 2010
Editado em 14 de Outubro de 2010

Revisão: Mali Ueno


"O Homem o é 
porque ser é preciso"



Algumas crenças a parte... Qual a necessidade do "existir"? O porquê somos ou o porquê aqui estamos? Sem entrar muito nos caminhos da metafísica, concluo que somos por necessidade, o "aqui estar" é digno de propósito, não é aleatório, tampouco está escrito com cada uma das letras e linhas.

Dizer "não", bater a porta, ignorar, gritar, xingar, contrariar, são coisas fáceis, agora tente dizer "sim", ajudar, ouvir com atenção, concordar ou manter a calma, principalmente, quando se trata de um estranho, e não apenas com a loira da capa da playboy ou o galã da novela das oito, isto é sobre o outro, o vizinho, o imigrante, o estrangeiro, é sobre o Paulista, o Carioca, o Nordestino, é sobre qualquer um que não seja você.

A questão aqui não é nem a solidariedade. Escrevo sobre respeitar a existência do outro indivíduo e se necessário auxiliá-lo.

Creio que esse precisar é a busca da melhoria contínua como um ser; a evolução em coisas como tolerância, solidariedade, humildade, compreensão, habilidades, etc.



::: Ilderaldo Corrêa
(Outubro, Segundo, 2010)

Pensamento II

"Perdoar liberta a Alma"

Algumas mágoas são difíceis de esquecer e como fantasmas nos sondam, algumas duram meses outras duram anos, mas quando estas são quebradas ocorrem nascimentos de supernovas, então sua alma está liberta.

::: Ilderaldo Corrêa
(Outubro, Décimo Quarto, 2010)

domingo, 3 de outubro de 2010

O Conceito Ma'at

"A verdade não é uma invenção moderna. Tal como a conhecemos, ela existe onde há consciência; uma está envolvida na outra. Mas de onde vem a verdade, a retidão e a justiça, e o que podemos chamar de código de ética? Parece que nossa civilização e nossa cultura têm uma dívida para com o Egito Antigo. De todas as culturas ou países conhecidos, o Egito tem os mais antigos registros históricos, remontando a mais de cinco mil anos.



Em egípcio, a palavra para "verdade" é Maat. O uso do Maat surgiu na Era das Pirâmides, iniciada por volta de 2700 a. C. No começo, Maat estava associado ao deus-sol Ra, ao faraó, à administração do país, ao homem comum, aos rituais dos templos e aos costumes mortuários.


Além disso, Maat eventualmente passou a ser associado a Osíris, o deus do outro mundo. Para os egípcios antigos, a palavra Maat significava não só verdade mas também retidão e justiça. Seu símbolo do Maat era a pluma de avestruz. A pluma, como símbolo, é encontrada em toda parte do Egito . nos túmulos e nas paredes e colunas dos templos. A pluma pretende transmitir a idéia de que "a verdade existirá". A pluma era transportada nas cerimônias egípcias, muitas vezes sobre um cajado. Ela aparece como fazendo parte do toucado da deusa.


A deusa alada Maat. Pintura mural que fica na entrada do túmulo da rainha Nefertari, esposa do faraó Ramsés II.

Para os egípcios que viviam na Era das Pirâmides, discernia-se o Maat como algo praticado pelo indivíduo. Era também uma realidade social e governamental existente, bem como uma ordem moral identificada com o governo do faraó. 


Maat era a concepção egípcia de justiça; era justiça como a ordem divina da sociedade.


Era também a ordem divina da natureza conforme estabelecida no momento da criação. O conceito tanto fazia parte da cosmologia quanto da ética.


"Se és líder e diriges os assuntos de uma multidão, esforça-te por alcançar toda virtude até que não haja mais falhas em tua natureza. Maat é bom e sua obra é duradoura."


O conceito de Maat confirma a antiga crença egípcia de que o universo é imutável, e que todos os opostos aparentes devem manter-se mutuamente num estado de equilíbrio. Ele subentende vigorosamente uma permanência; estimula o homem a esforçar-se por alcançar a virtude até que não tenha mais falhas. A harmonia e a ordem estabelecida de Maat, assim como a permanência, estão subentendidas nisso.


Um homem só teria êxito na vida, se vivesse harmoniosamente de acordo com o conceito de Maat e em sintonia com a sociedade e a natureza. A retidão produzia alegria; o contrário trazia o infortúnio. Este era um conceito profundo para os egípcios antigos, um conceito que ultrapassava o âmbito da ética, poderíamos dizer, e que na verdade afetava a existência do homem e seu relacionamento com a sociedade e a natureza. 


É claro que havia aqueles, entre os antigos egípcios, que não desejavam seguir os preceitos de Maat."


Texto editado, extraido originalmente, integralmente do site http://www.starnews2001.com.br/egypt/maat.htm

::: Ilderaldo Corrêa
(Outubro, Terceiro, 2010)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Do ato do Ser - Do sentimento de propriedade por proximidade

Ela bela, um tanto desvairada
Pela alquimia dos anos do relacionamento
Dos tipos, a generosa, ele o desatento

Dele que se fez então
Por ausência, incongruência,
De questão moral falha e duvidosa

Ela, que prefere compartilhar a cama
Desprovida de sentimento
Ao ter em seu lugar
Uma jovem mocréia

Do externo das paredes
Que formam o mobiliado habitat
Que o elo se de nas mãos
Ou no platônico abraço

Por definição formada,
Sentimento de propriedade
Por proximidade da pessoa amada


::: Ilderaldo Corrêa
(Abril, Vigésimo terceiro, 2009)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Do ato do ser – A inconsciência constante

Cercados pelo fútil irredutível
Desprovidos de sentido,
O riso e a cólera

Os proeminentes símios
De sete virtudes esquecidas
Festejam entre as ruas da capital
Fascinados em um eterno reino
De fantasia fractal

Aprisionados na infância
Investidores constantes nos prazeres efêmeros
Fatoram e descartam,
Ao seu próximo menor importância

Ao acaso despertam
Da-se por evolução
Ao instinto, razão


::: Ilderaldo Corrêa
(Abril, Vigésimo segundo, 2009)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Órtico

Amontoados os blocos
Engendram a cidade
Da janela caverna
Sem alma vista
Finda a apoteose

Em inerte candência
Padece o oblíquo sentido
Que transverte o ser

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, décimo segundo, 2009)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um pouco de James Joyce

Postado originalmente em 3 de Janeiro de 2009
Editado em 9 de Janeiro de 2009

Após terminar de ler a obra Dublinenses, destaco algumas passagens que considero muito interessantes.


"Um fluxo de alegria ainda mais terna brotou-lhe do coração e expandiu-se numa cálida torrente em suas artérias. Como o brilho suave das estrelas, imagens de sua vida em comum, que ninguém conhecia nem jamais viria a conhecer, iluminaram-lhe a memória.

Gostaria de recordar-lhe esses momentos, fazê-la esquecer os anos insípidos da sua vida conjugal e lembrar apenas dos instantes de êxtase. Sentia que nem sua alma nem a dela tinham sido aniquiladas pelos anos. Os filhos, os livros, os trabalhos domésticos não haviam extinto a delicada chama de suas almas.

Numa carta que escrevera, ele dissera: "Por que razão as palavras me parecem tão tristes e frias? Será porque não existe palavra bastante suave para ser teu nome?"

Como longínqua música, essas frases que escrevera há muitos anos ressurgiam do passado. Queria estar a sós com ela. Quando todos tivessem ido embora, quando se encontrassem no quarto do hotel, ficariam então juntos e sós. Ele a chamaria docemente:

— Gretta!"

do conto "Os Mortos".



"Certos momentos, seu nome brotava-me dos lábios em estranhas preces e rogos que eu mesmo não compreendia.

Meus olhos enchiam-se de lágrimas (não saberia dizer a razão) e, às vezes, uma torrente parecia transbordar meu coração e inundar-me o peito. Pouco me preocupava o futuro.

Não sabia se falaria ou não com ela e, se o fizesse, de que modo revelaria minha tímida adoração. Meu corpo porém era uma harpa cujas cordas vibravam às suas palavras e gestos."

do conto "Arábia".



"Lembrou-se dos livros de poesia, guardados na estante, em sua casa. Comprara-os quando era solteiro e muitas noites, sentado na saleta junto ao vestíbulo, sentira-se tentado a retirar um deles da prateleira e ler alguns trechos para a esposa.

Mas a timidez sempre o impedira e os livros permaneciam em seus lugares. Repetia às vezes alguns versos para si mesmo e isso o consolava."

do conto "Uma pequena nuvem".


Os trechos acima citados foram extraídos do livro Dublinenses de James Joyce.

"James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) foi um escritor irlandês expatriado. É amplamente considerado um dos autores de maior relevância do século XX. Suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939)" — Wikipédia

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Coquetel


Sentadas em um banco, às costas da igreja em eterna reforma, acolhidas pela sombra da banca de periódicos, um grupo de balzaquianas errava nas palavras cruzadas.

Dos inconstantes diálogos, surge:

— Dorothéia, sua filha está pulando corda.
— Eu sei, ela sempre faz isso quando vem à praça.
— Mas ela não está segurando uma corda.
— Não de atenção, é recorrente. Pula uma corda invisível, diz que no final da na mesma, e tem a vantagem de não calejar os dedos.
— E você acha isso normal?
— Bem, invisível, melhor corda que amigo.

De passos curtos, um vendedor simpático, carregando um isopor já castigado, se aproxima e oferece:

- Picolé, minhas senhoras? Faço em casa.
- Do que é que o senhor tem?
- Tem de tudo, só não tem morango que não é fruta da época.

Depois de conferido o trocado, o ambulante da as costas e vai tentar a vida na próxima esquina.

Já chupando, Dinamarca abre o verbo.

— Ontem, depois de dois anos, meu esposo pediu-me uma chupeta.

Sem tirar os olhos da “página de respostas para esta edição”, dona Vera solta:

— Dois anos? Bienal!

Sondando a rua em singelo desespero, dona Vera ainda pergunta:

— Do que é mesmo que não tinha picolé?

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, sexto, 2009)

Especiarias


Destapada, a cobiçada panela de porcelana, mais uma vez, borbulhava incansavelmente sobre o fogo; lado a lado em cima da mesa dentro de pequenos potes dispostos em ordem alfabética: hortelã, manjerona, noz moscada, páprica picante e salsa aguardavam com certa ansiedade pela imersão na água fervente.


No final da tarde a cozinha era o único lugar da casa onde ela conseguia se concentrar e esquecer um pouco da tolice dos colegas do escritório. Um dos imãs colados na geladeira, reprodução do quadro “Tounee Du Chat Noir” atraia sua atenção enquanto aguardava o tempo certo para o próximo movimento.

Um a um desapareciam os temperos nas espirais que se formavam ora para a esquerda ora no sentido oposto. O aroma desenhava um caminho invisível ao seu redor. Uma taça de vinho esquecida, apoiada na janela, refletia a ultima fração dos raios do sol que se perdiam na tentativa de atravessar os edifícios do outro lado da cidade.

Cuidadosamente fatiado, um terço do pão italiano (provido do armazém que freqüentara desde menina), era salpicado com um punhado de ervas finas e depois coberto com azeite de olivas.

Separados por delicadas mordidas, cada pequeno pedaço percorria sua boca estimulando seu desejo. O inseparável relógio de pulso regia as três pequenas chamas sobre o fogão, que após executarem uma incompreensível valsa, desapareceram no ar.

A espera pela degustação seria interminável se não fosse salva por algumas páginas de Lord Byron.

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, sexto, 2009)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

La Revancha Del Tango


Pouco antes de terminar o banho ela novamente encostou o rosto no vidro do box olhando fixamente para a toalha pendurada do outro lado, agora a água dedilhava parte de suas costas com a mesma tenacidade que Mozart tocava uma sinfonia.


Sem pensar em nada, como se fosse uma cientista olhando através de um microscópio, uma sutil mudança no foco do cristalino de seus olhos fez com que perdesse alguns segundos observando duas gotas traçarem caminho em direção ao chão.

A temperatura na rua beirava trinta e oito graus, invadia a sala, a cozinha, o corredor, o quarto ao lado, e vinte minutos antes ganhava as células da pele de seu corpo.

Em um movimento tão suave como o derreter de uma bola de sorvete, seus dedos enlaçaram o registro do chuveiro e vagarosamente enforcaram os últimos segundos do seu prazer.

Após tocar o tapete com a ponta dos pés instintivamente foi guiada até o espelho, com a palma das mãos apoiadas na pia observou seu rosto, seu cabelo molhado.

Sutilmente sua distração foi interrompida pelo tango moderninho que em baixo tom deliciosamente ainda tocava pelo apartamento, nua começou a dançar.

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, quinto, 2009)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Cantigas de elevador


Durante três minutos ele observou o número “397” na porta a sua direita, primeiro os embaralhou, somou e depois subtraiu, enquanto os multiplicava a luz no painel do elevador a sua frente apagara e as duas imensas chapas de aço escovado deslizaram para o lado.


Segundos depois a claustrofobia dava inicio a sua tortura, não havia alternativa, descer mais de 20 lances de degraus com a perna engessada estava fora de cogitação.

Aquele caos parecia interminável, lentamente a pequena caixa de metal começou seu balé vertical; ao abrir os olhos os dígitos ainda marcavam, “31”, o carrasco aparentava entre sete e nove anos de idade, o pequeno e inocente sorriso da garotinha não era o suficiente para silenciar os insultos que disputavam lugar em sua mente.

Vinte e duas chibatadas ainda restavam para percorrer seu corpo, a tensão dominava sua boca, o ranger dos dentes, o suor na testa desenhava agonia em seu rosto.

Ao atingir o décimo sexto pavimento, outra parada, mais uma criatura infeliz dividiria o diminuto espaço entre ele e a pequena peste. Aquela maldita frase ecoou entre as paredes, por que haveria de ser um bom dia?

Inalado pelo pânico desejava cravar seus dedos entre as frestas de metal que o encaravam cinicamente.

Poucos metros depois, repetidamente o número onze cintilava em seus olhos, seu corpo desferiu apenas um movimento, um forte soco entre os botões, pressionando ao mesmo tempo diversas placas de plástico que reagiam com seus leds verde veneno, indefeso nos braços de uma máquina demoníaca, ao bater no segundo andar atropelou um casal que surgiu em sua frente, atordoado desapareceu pelo corredor, contornou um pilar e resolveu descer as escadas.

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, quarto, 2009)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Die Walküre


Epílogo


Nuvens cruzavam sobre nossas cabeças como intermináveis drakars banhados pela luz vermelha alaranjada do sol, moviam-se lentamente em direção ao leste.

Próximo ao horizonte ainda era possível avistar escassas faixas de azul coral, pois o céu se escondera mais a cada segundo.

Poucos instantes separavam nossos destinos do inevitável, então um grito ecoou no ar "Elas estão vindo!"

Cada homem caído ao meu lado silenciou seu desespero, as Valquírias caminhavam entre nós derramando para alguns seu perdão, sua graça divina.

Não seria este o dia do fim de nossas vidas.

Drakar, navio de guerra viking
Valkíria, divindade da mitologia nórdica

::: Ilderaldo Corrêa
(Janeiro, terceiro, 2009)

domingo, 2 de setembro de 2007

O Cão


Corredor,

Logo lá está.
A drásticos longos passos
Quando o desencontro,
Já descansa.

Pertinente,
Consegue o desvio
Uma, duas,
Três vezes;
Desisto.

Incessante arauto
Sem uma gota de zelo
Arfa, Aspira
Cada pista sem eixo.

Ante a praça
Observa, Indaga.
Repentinamente,
Dispara.
Para o ar.
Para o nada.

::: Ilderaldo Corrêa
(Setembro, segundo, 2007)

Amor tangível


Esse amor tangível

Sentimento corpóreo
Infesta de forma exata
A insensata racionalidade.
Repleta transpira, transborda.
Encharcada grita, cerro os olhos.

Com as asas
que todos têm.
Na alma
que nem todos vêem.
Ergo vôo;
Parto.

De calor intenso
Violenta-me o faro.
Dela, seca a boca.
Esgota, dilacera...
O encorpado
Saboroso lábio.

Inflamado,
Explode!
Consome cada presente sonho.
Não há incômodo;
Ata-nos.

::: Ilderaldo Corrêa
(Agosto, vigésimo sétimo, 2007)