Postado originalmente em 3 de Janeiro de 2009
Editado em 9 de Janeiro de 2009
Após terminar de ler a obra Dublinenses, destaco algumas passagens que considero muito interessantes.
"Um fluxo de alegria ainda mais terna brotou-lhe do coração e expandiu-se numa cálida torrente em suas artérias. Como o brilho suave das estrelas, imagens de sua vida em comum, que ninguém conhecia nem jamais viria a conhecer, iluminaram-lhe a memória.
Gostaria de recordar-lhe esses momentos, fazê-la esquecer os anos insípidos da sua vida conjugal e lembrar apenas dos instantes de êxtase. Sentia que nem sua alma nem a dela tinham sido aniquiladas pelos anos. Os filhos, os livros, os trabalhos domésticos não haviam extinto a delicada chama de suas almas.
Numa carta que escrevera, ele dissera: "Por que razão as palavras me parecem tão tristes e frias? Será porque não existe palavra bastante suave para ser teu nome?"
Como longínqua música, essas frases que escrevera há muitos anos ressurgiam do passado. Queria estar a sós com ela. Quando todos tivessem ido embora, quando se encontrassem no quarto do hotel, ficariam então juntos e sós. Ele a chamaria docemente:
— Gretta!"
do conto "Os Mortos".
"Certos momentos, seu nome brotava-me dos lábios em estranhas preces e rogos que eu mesmo não compreendia.
Meus olhos enchiam-se de lágrimas (não saberia dizer a razão) e, às vezes, uma torrente parecia transbordar meu coração e inundar-me o peito. Pouco me preocupava o futuro.
Não sabia se falaria ou não com ela e, se o fizesse, de que modo revelaria minha tímida adoração. Meu corpo porém era uma harpa cujas cordas vibravam às suas palavras e gestos."
do conto "Arábia".
"Lembrou-se dos livros de poesia, guardados na estante, em sua casa. Comprara-os quando era solteiro e muitas noites, sentado na saleta junto ao vestíbulo, sentira-se tentado a retirar um deles da prateleira e ler alguns trechos para a esposa.
Mas a timidez sempre o impedira e os livros permaneciam em seus lugares. Repetia às vezes alguns versos para si mesmo e isso o consolava."
do conto "Uma pequena nuvem".
Os trechos acima citados foram extraídos do livro Dublinenses de James Joyce.
"James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) foi um escritor irlandês expatriado. É amplamente considerado um dos autores de maior relevância do século XX. Suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939)" — Wikipédia
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